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   De Luanda a malange    

Cinco da manhã de 6ª feira, 15 de Agosto, já estamos prontos, esperando a nossa boleia para Malange, partimos perto das 6 horas, já com um trânsito infernal nas entradas e saídas da cidade; táxis e carros particulares, veículos de todas as espécies enchem as faixas de rodagem e as faixas que o não são; sim, porque nas ruas de Luanda circula-se por onde é possível, mesmo fora dos sítios habituais, tudo vale, pela direita, pela esquerda, por onde calha. Duas longas horas só para sair do perímetro urbano da cidade, a passagem por Viana, com a confusão do costume. O todo-o-terreno faz-se à estrada da barra do Kuanza, os primeiros quilómetros prometem, mas a primeira impressão é enganadora, a estrada “desaparece” de quando em vez, dando lugar a pequenos troços de terra batida, com imensos buracos, impossível fazer aquilo num carro clássico, só mesmo os todo-o-terreno resistem a estas situações, o nível de solavancos é enorme, sobretudo para quem viaja no banco traseiro, chega a bater-se com a cabeça no tejadilho, enfim…

A primeira paragem é no Dondo, passados que são já 190 km, ainda na província de Kuanza-Norte, até chegar à capital daquela província, N´Dalatando, mais uns 60 km para oeste; esta cidade teve a designação de Vila Salazar até 1975, em homenagem ao ditador; é também a sede da diocese de N´Dalatando, criada pelo papa João Paulo II, em 1990, pelo desmembramento da arquidiocese de Luanda.

A viagem é, apesar dos percalços, um regalo para a vista; as sucessivas mudanças na paisagem deixam antever, na subida para Malange o verde da vegetação que contrasta com a cor terra, constante da planície; as 5 passagens pelo Lucala, nem sempre com caudal de água suficiente para as necessidades, as pedras negras de Pungo Andongo, uma formação rochosa com cerca de 200 milhões de anos, um “monumento” de imponência e de grande beleza. A floresta vai-se abrindo, com matas e savanas, arbustos muito verdes, cada quilómetro é uma surpresa, deixando antever os enormes prados palustres. Já se podem ver algumas culturas típicas de solos mais húmidos, como o arroz e o milho. Iremos, dois dias mais tarde, ter a oportunidade de ver com agrado os cafezeiros nas quedas do Kalandulo e provar o fruto delicioso do café, que deve ser chupado e nunca mastigado…Importante também, não esquecer as culturas do algodão, tabaco e cana-de-açúcar, que servem algumas pequenas indústrias locais.

Malange está a uns escassos quilómetros e já dá para notar a diferença de temperatura, relativamente a Luanda; muito mais fresco, mas menos húmido; quando cai a noite, mais parece que estamos em Portugal… À nossa espera, os grandes amigos Joana e Joaquim Pedro, inexcedíveis em simpatia e hospitalidade; este último é Administrador do Kalandulo, um dos suportes e apoios do nosso Projecto; o Kalandulo é um dos municípios da Província de Malange, muito conhecido pelas quedas do mesmo nome (antigas Duque de Bragança) e ainda pelas quedas do Musselege.

O fim-de-semana será um misto de trabalho e convívio, já que não estávamos presencialmente com os amigos há quase 12 anos. Pela primeira vez fazemos o trajecto de reconhecimento do município do Kalandulo; vemos e apreciamos o trabalho do Joaquim Pedro, na qualidade de administrador local, na recuperação de estradas, escolas e outros edifícios; incremento de pequenas actividades, apoio social; uma pequena extensão de uma localidade com meia-dúzia de casas, no que pode ser considerado o perímetro urbano, mas com muitos muceques dispersos que se estendem num raio de 20 a 30 quilómetros.

Vamos visitar as quedas (obrigatório, claro!), um passeio espectacular; primeiro as quedas pequenas, no Musselege, (onde provamos o fruto do café…) e depois as grandiosas quedas do Kalandulo, simplesmente monumentais; uma manhã dedicada às visitas, na companhia de um excelente grupo, onde estava o senhor Presidente do Tribunal de Contas de Angola, de visita ao município.

Um fim-de-semana principesco, preparando a visita ao senhor Governador de Malange, que aconteceria na 2ª feira; um encontro fundamental para os nossos projectos, mais uma oportunidade de divulgar as nossas propostas, com uma atenção muito especial do Projecto “AO SUL…”, motivo central da nossa estadia nesta Província.
 

Malanje, 18 de Agosto 2008
Alfredo Soares Ferreira

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