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Vou-vos recordar, ou não, alguns dos velhos costumes angolanos, agora novamente recuperados, que uma amiga recente, da qual tenho a certeza que, em breve, me tornarei velha amiga, me fez um relato delicioso!

Comecemos então pelo pedido de casamento.

É feito pelo Tio do rapaz à família da noiva. Em dia aprazado, este dirige-se à casa da noiva acompanhado pelo noivo, pelo pai deste e mais alguns familiares para que se efectuem as conversações. Apenas ele é o porta-voz das intenções do noivo, que as exprimiu numa carta que o Tio lê em voz alta à família presente de um lado e do outro (podem chegar a ser uma dúzia ou mais de familiares de ambas as partes).

Previamente a família da noiva já deu a conhecer uma lista de presentes que variam de província para província, mas que genericamente consiste no seguinte: um fato completo e um par de sapatos para o Tio, 3 conjuntos de panos para as Tias, cigarros e fósforos para a Avó, grades de cerveja e de gasosa, bebidas espirituosas.

Claro que a família da noiva terá que oferecer um banquete à altura…
Entretanto e após a leitura da carta que obedece a procedimentos rigorosos, entabulam-se as negociações e as partes quando não concordam pedem para se reunir separadamente a fim de discutirem em privado. O Tio continua a servir de porta – voz e lá vai tentando levar a bom porto a sua missão.

Embora muito raramente, pois antes desta reunião tudo foi bem ponderado, nem sempre é bem sucedido e…então tudo se desfaz!

Claro que com o humor característico dos Angolanos surgem peripécias engraçadíssimas. Por exemplo: a família de um rapaz que esteve fora de Angola e não está ainda bem dentro destes costumes, vai fazer o pedido e timidamente vai dizendo… «sabemos que às vezes há lugar ao pagamento de “multa” quando qualquer coisa não está como devia…» ao que uma das Tias retruca imediatamente: «ainda bem que o compadre reconhece, pois na verdade a carta não está nos conformes, faltam os alfinetes no lenço, e portanto…tem mesmo é que pagar a multa».
Se por acaso não chegam à hora aprazada já têm um pano no chão e logo começam a limpar os sapatos (sinal inequívoco de que têm de pagar multa).

Bela
Luanda, 11 de Agosto de 2008

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